OGIVA NUCLEAR

domingo, 7 de fevereiro de 2016

SOLUÇÃO FINAL – 3

UMA GERAÇÃO PERDIDA

1956-2016 – Parabéns ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde. Foram 60 anos de vida e luta pela libertação e emancipação do nosso povo. A nossa gloriosa Luta de Libertação Nacional que marcou toda uma geração, constitui o culminar de uma resistência secular do nosso povo à dominação e subjugação colonial em todas as suas formas de expressão e impõe-nos um dever moral e cívico de evocar a memória dos que com o seu sacrifício, suor e sangue, arquitectaram a nossa liberdade, escrevendo das mais belas páginas de resistência dos povos oprimidos.

Pelo menos na Guiné-Bissau, a prematura e inesperada morte de Amílcar Cabral conduziu ao fracasso de uma das vertentes mais importantes por ele preconizado e privilegiado de todo o projecto de libertação – “a formação de um homem novo”, ao ponto de nos dedicar o advento da Luta com todos os seus sacrifícios, afirmando que “as crianças são as flores da nossa luta e a razão principal do nosso combate”.

Amílcar Cabral, o génio de Bafatá que há 53 anos atrás conseguiu, graças a sua humildade e seus saberes, mobilizar e incutir na mente do nosso povo a brilhante ideia de lutar pela sua libertação e emancipação, asseverando-lhe que ele (Amílcar) era um simples africano que quis saldar a sua dívida para com seu povo e viver sua época. O fundador e Militante Nº 1 do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde deixou ainda bem claro que, “ a nossa luta era para o nosso povo, porque o seu objectivo, o seu fim era satisfazer as aspirações, os sonhos, os desejos do nosso povo, de ter uma vida digna, como todos os povos do mundo desejam, ter a paz para construir o progresso na sua terra, para construir a felicidade para os seus filhos. Ou seja, que tudo quanto conquistarmos na luta devia pertencer ao nosso povo e que para tal, era imprescindível criar uma tal organização que mesmo que alguns de nós quisessem desviar as conquistas da luta para os seus interesses, o nosso povo não deixasse”.
Para dissipar quaisquer dúvidas quanto a nobreza da sua própria participação na organização e liderança da Luta e demonstrar que as suas acções enquanto líder de um Movimento de Libertação eram movidas fundamentalmente pela pertinência da liberdade e do bem-estar colectivo, em detrimento de quaisquer projectos e ambições pessoais, Amílcar Lopes Cabral afirmou ao Mundo, passo a citar: “jurei a mim mesmo que tenho que dar toda a minha vida, toda a minha energia, toda a minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem até ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo, na Guiné e Cabo Verde. Ao serviço da causa da humanidade, para dar a minha contribuição, na medida do possível, para a vida do homem se tornar melhor no mundo. Este é que é o meu trabalho».  

Quando tomei a liberdade de escrever estas linhas, o meu objectivo, obviamente, era abordar a caricata situação política que mais uma vez coloca a Guiné-Bissau no centro das atenções internacionais, pela negativa, em virtude do braço-de-ferro institucional que opõe o Governo ao Presidente da República. Entretanto acabei optando por fazer uma avaliação objectiva do que tem sido o posicionamento e contributo da minha geração na consolidação da Independência Nacional, da Paz, da promoção do desenvolvimento socioeconómico e da afirmação do nosso País no contexto das Nações.

Era preciso toda esta atrapalhada, para colocarmos cada peça no seu respectivo lugar e estarmos finalmente em condições de manter a nossa convicção inicial ou de optar por um reposicionamento pragmático, baseado essencialmente na busca permanente dos valores que devem sustentar os alicerces da sociedade que pretendemos para os nossos filhos?

Tudo isto que estamos a viver neste momento, começou em Cacheu e começou mal, devido a falta de transparência e honestidade na forma como o Congresso foi preparado e organizado pela então Direcção do PAIGC, que tanto se empenhou para prejudicar o líder do projecto “Por Uma Liderança Democrática e Inclusiva”, o candidato Braima Camará, então melhor posicionado para assumir a liderança do  Partido de Amílcar Cabral, em prol do candidato Domingos Simões Pereira que como se viu, não estava minimamente preparado para exercer esse cargo e muito menos para liderar um País com a complexidade social, étnica e religiosa da Guiné-Bissau.

Dois anos se passaram desde o Congresso de Cacheu e as opiniões se convergem num ponto: o PAIGC está mal entregue e a Guiné-Bissau dispensa a liderança de Domingos Simões Pereira – uma liderança podre, corrupta, rancorosa, odiosa, arrogante e ditatorial.

Esta geração que colheu os louros dos enormes sacrifícios consentidos pelo nosso povo mártir, beneficiando da liberdade, da emancipação, da dignidade, dos privilégios de ter os seus Direitos Fundamentais universalmente reconhecidos e devidamente protegidos pelas Convenções Internacionais, assim como das enormes oportunidades de projecção académica e profissional, resultantes dos sacrifícios  da Luta de Libertação Nacional, devia ser chamada a pronunciar-se, mas, infelizmente não consegue retribuir nada de bom ao País que os viu nascer, crescer e fazer-se homens e mulheres, adiando permanentemente os sonhos de um povo heróico, que nela chegou a depositar tanta esperança.

Forjada na ditadura, no medo, na cobardia, na mentira, na corrupção e no vazio ideológico, a geração que por ideia devia herdar a estafeta da luta e construir a famigerada paz, imprescindível a construção do progresso e da felicidade do nosso povo, encontra-se a deriva, sem uma liderança, que a semelhança de Amílcar Cabral, fosse capaz de definir o vector do movimento nacional, convergindo todas as sensibilidades e forças vivas do País num ambicioso projecto de índole nacional, capaz de mobilizar todos os recursos e sinergias disponíveis e que pela sua amplitude, a semelhança da Luta de Libertação Nacional, se definiria como um novo desígnio nacional.

A ditadura partidária agravada pelo Golpe de Estado do 14 de Novembro de 1980 e a instauração duma ditadura militar; A defeituosa, corrupta e mal-intencionada introdução do sistema multipartidário; A ausência de liberdade individual; A partidarização das Forças Armadas; As perseguições políticas e execuções arbitrárias; A politização da justiça (inexistência de garantias da defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos), constituíram um solo fértil para o germinar de tendências sociais obsoletas que colidem frontalmente com os valores que alicerçaram a Luta de Libertação Nacional e que estiveram na origem da nossa identidade. Uma realidade patente na conduta desta que é, sem sombra de dúvidas, a pior geração da nossa história e que nunca teve quaisquer intenções de ir á N`Salmá assumir o papel que essa mesma história lhe reservava:

Uma geração incapaz de definir o modelo de sociedade em que pretende viver e o tipo de liderança que deve assumir a sua construção;

Esta geração que apoia a ditadura, a corrupção, o nepotismo e a violação dos Direitos Fundamentais;

A geração que aplaude golpes de Estado (em todas as suas formas de expressão) e demais formas de violação da ordem institucional;

Uma Geração que fez da corrupção um padrão de vida e a linha mestra da sua conduta social;
  
Esta geração que destruiu o tradicional conceito de família e com ele a base da nossa sociedade;

Uma geração que em nome de interesses antagónicos aos ideais da Luta de Libertação Nacional, se deixa manipular e dividir por políticos declaradamente corruptos e incoerentes com os valores e princípios básicos do democratismo e da modernidade;

Esta geração que coloca em perigo os valores da nossa luta e teima em dividir a nossa sociedade, pondo em perigo o seu fundamento básico - o diálogo de civilizações, culturas e religiões;

A geração que prefere o conceito de informações agradáveis e desagradáveis, em detrimento do tradicional e globalmente aceite conceito de informações verdadeiras e falsas;

Esta geração oportunista, intelectualmente desprovida de substância e mentalmente preguiçosa, que só por conveniência se envolve em actividades sociopolíticas, privilegiando a vida fácil e o estabelecimento de relações arcaicas e mesquinhas, baseadas no amiguismo e que lhe permitam usufruir indevidamente de direitos e benefícios que nunca fez por conquistar, tornando-se desta forma refém do muito bem patenteado divórcio entre as suas ambições e a sua capacidade de realização;

Esta geração que fez da nossa história recente um ciclo vicioso de arrependimentos (os que tanto se empenharam em combater a ditadura partidária instaurada após a independência, estão hoje profundamente arrependidos dos seus feitos; Os que apoiaram freneticamente o golpe de Estado de 14 de Novembro, estão hoje arrependidos de o terem feito; Os que apoiaram o conflito armado de sete de Junho, estão hoje arrependidos de o terem feito; Os que apoiaram e votaram em Kumba Yalá para Presidente da República, em detrimento de Malam Bacai Sanhá, estão hoje arrependidos de o terem feito; Os que não queriam Carlos Gomes no Poder, estão hoje arrependidos; Os que apoiaram Domingos Simões Pereira e o levaram ao colo á liderança do PAIGC, em detrimento de Braima Camará, estão hoje arrependidos de o terem feito).

O falhanço de todos estes acontecimentos que por ideia deviam imprimir uma nova dinâmica á nossa história e ao nosso processo de desenvolvimento, reflecte a nossa incapacidade de gerir as situações imergentes, de forma a consolidar as conquistas que estes mesmos acontecimentos representam.

O Século XXI é abalizado pelos valores da Democracia (o primado da Lei) e do combate à corrupção (um crime lesa-pátria, motivado pela ausência de moral e de dignidade cívica).

Durante uma entrevista concedida a RDP e que fora minuciosamente preparada e o timing definido de propósito para efeitos propagandísticos, Domingos Simões Pereira mostrou a sua faceta de ditador, afirmando que, passo a citar: “as Leis são importantes, mas não substituem os homens”. Subentendendo com esta afirmação que há homens que estão acima das Leis, como é o seu caso (que mesmo sem estarem a representar o Estado, detêm a prerrogativa de adiar por tempo indefinido a apresentação do Programa do Governo na Assembleia Nacional e quando lhe convém baseia-se no primado da Lei para expulsar Ministros e Deputados, como se estivéssemos a viver no País das maravilhas).

Uma geração que tolera e apoia políticos desta natureza, cujo Governo já entrou para a história como o mais corrupto de sempre no nosso País, não faz história – É UMA GERAÇÃO PERDIDA!

NOTA: Sua Excelência, Sr. Presidente da República, acabe com esta atrapalhada, porque o povo está cansado desta gentalha e o País precisa de um Governo de verdade para solucionar os seus problemas!

TONY SEQUEIRA JUNIOR.  

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