segunda-feira, 2 de março de 2020

Por. Dr. Jorge Herbert (Dr. Di Bardadi)

Sr. Prof. Kaft Kosta,

Lamento profundamente o retardo da sua acuidade diagnóstica, por só agora aperceber-se da localização da Guiné-Bissau na rampa do abismo, lugar onde foi intencionalmente colocado por uma organização de índole criminosa de nome PAIGC, que sequestrou o país há décadas e implantou a cultura do medo, da intimidação e da humilhação a todos os que um dia ousaram enfrentar os seus desmandos e, por outro lado, premiar todos aqueles que os são subservientes!

É sempre agradável ver a intervenção pública de um intelectual do seu gabarito, sobre a política do nosso país, mas entristece-me o seu atraso no tempo, quando todas as atuações do PAIGC e do seu líder nos últimos quatro anos indicavam esse caminho!

Entristece-me não ter ouvido as suas intervenções públicas contra o bloqueio a que o país foi submetido durante quatro anos pelo PAIGC, com graves consequências para o povo, apenas e só porque o seu líder foi desalojado do cargo do primeiro-ministro com uso de prerrogativas Constitucionais...

Entristece-me não ter ouvido a voz de intelectuais do seu gabarito face ao fecho da casa da democracia e o permanente desrespeito público do líder do PAIGC à figura do mais alto magistrado da nação escolhido pelo povo, durante quatro anos consecutivos!

Lamento que um intelectual do seu gabarito só agora se apercebeu da “verborreia, aplausos e urros” que se multiplicou na Guiné-Bissau nos últimos quatro anos, orquestrado e sustentado pelo PAIGC, não como de Benfica-Sporting se tratasse, mas como se o país se resumisse à uma disputa DSP/JOMAV!

Não imagina caro prof., como lamento a sua retardada acuidade diagnóstica no seu retrato à uma elite volúvel e fútil, pronta a vender a sua dignidade por um cargo, porque nós há muito que andamos a denunciar a partidarização do aparelho do Estado na Guiné-Bissau, sendo que bem recentemente o PAIGC descaradamente e a guiso de compensação, transformou ativistas anti-JOMAV em funcionários de altos cargos da função pública! Sr. Prof. andava distraído e só agora despertou para esse grave problema que faz parte dos genes da organização criminosa que sequestra o país há mais de quatro décadas?!

Sim, Sr. Prof., concordo consigo que a ciência jurídica está descredibilizada pelos “juristas” e não juristas na Guiné-Bissau. E, em relação a esse ponto, gostaria de ouvi-lo no alto da sua sapiência, a aclarar-nos em relação aos Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça e enquadrá-los na lei eleitoral do país... Era uma grande contribuição que dava ao país!

Sr. Prof., também não me agrada ver o meu país neste “espetáculo”, mas sou suficientemente imparcial para ter apercebido, há muito tempo,  do domínio do Estado guineense pelo PAIGC e do uso que fazem do obscurantismo e da grave carência económica para condicionar toda uma população e toda a uma sociedade à sua “batuta”! Sou suficientemente lúcido para perceber que o caminho para o necessário desenraizamento dessa cultura pode passar pela determinação e sacrifício de alguns patriotas! Se são esses protagonistas a conseguir esse objetivo e levar-nos à uma segunda independência, prefiro esperar e conceder-lhes o benefício da dúvida!

Sinceramente Sr. Prof., lamento profundamente o seu retardo na acuidade diagnóstica da sociedade guineense! Não sei se a sua área profissional ou de formação compactua com esse retardo , mas na Medicina, principalmente na área que abracei que é a Medicina Intensiva, diagnósticos tardios têm invariavelmente desfechos fatais! 

Cordialmente,

Jorge Herbert

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