O VOTO DE
CONFIANÇA DO POVO
Nos últimos tempos, temos assistido à um
conjunto de votações por unanimidade, destinadas à atribuição de votos de
confiança. Votações tão duvidosas, que pela sua absurdez metem nojo e retiram
toda a credibilidade à nossa democracia e duma forma geral, ao nosso Estado.
Parece estarmos a viver num País comunista com um regime totalitário, onde nem
sequer é preciso debater o assunto a ser votado, porque só existe uma intenção
de voto – SIM! O mais interessante
no nosso caso é que todas as votações que passo a enumerar, foram precedidos da
distribuição de chorrudos “presentes” aos votantes que desta forma venderam a
sua consciência sem questionar a legalidade constitucional do seu acto e da
questão a ser sufragada:
1. A Assembleia atribui “por unanimidade” um voto de confiança ao
Governo em cuja composição figuram 12 arguidos e em vésperas da sua
remodelação;
2. Absurdamente, o Conselho de Ministros atribui “por unanimidade” um
voto de confiança ao Governo, ou seja à si próprio;
3. O Bureau Político, mesmo desprovido de quorum, tentou forçar,
votando “por unanimidade”, a aprovação duma resolução que suspende o Dr. Baciro
Djá (3º Vice-Presidente) do seu exercício de militância no PAIGC, por um
periodo de três anos – tempo necessário para Domingos Simões Pereira se livrar
da sua concorrência no próximo Congresso e, tendo em conta a iminência da queda
do Governo, impedir a todo o custo a sua assenção ao cargo de
Primeiro-ministro, que neste caso lhe seria destinado por inerência.
Quem no dia 9 deste mês de Agosto de 2015,
teve a oportunidade de testemunhar o caloroso acolhimento que o nosso povo
reservou ao Presidente da República, Dr. José Mário Vaz (JOMAV) aquando do seu regresso do Senegal, certamente que ficou
maravilhado com a espontaneidade com que o povo se organizou para lhe dar as
boas vindas, lhe manifestar o seu apoio total e incondicional, neste momento em
que, para defender a nossa soberania, todos contam. Com este gesto patriótico o
nosso povo decidiu atribuir o seu VOTO DE CONFIANÇA ao chefe de Estado,
encorajando-o a tomar a decisão que mais se adequa ao momento histórico e aos
supremos interesses da Nação – “JOMAV
BATI, CA BU MEDI!”, “JOMAV BATI, CA BU MEDI!”, “JOMAV BATI, CA BU MEDI!”,
“JOMAV BATI, CA BU MEDI!”... Era a palavra de ordem que se ouvia da
multidão que ocorreu ao Aeroporto “Osvaldo Vieira” e que preenchia toda a
artéria que liga o Aeroporto ao Palácio da República.
Viva a Guiné-Bissau!
Bem-haja à todos!
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